Dia da Enfermagem: papel na experiência do paciente

O Dia da Enfermagem é celebrado em 12 de maio, data associada ao nascimento de Florence Nightingale, referência histórica da enfermagem moderna. Mais do que uma homenagem, a data reforça uma questão central para hospitais, clínicas e operadoras: a enfermagem está entre os principais agentes da experiência do paciente. (BVS MS)

Na prática, a experiência do paciente não é formada apenas pela consulta médica, pelo procedimento realizado ou pelo desfecho clínico. Conforme definido pelo The Beryl Institute, a experiência do paciente corresponde à soma de todas as interações vivenciadas ao longo da jornada de cuidado, moldadas pela cultura organizacional. Isso significa que aspectos como comunicação, segurança, escuta, acolhimento e a forma como cada pessoa é tratada influenciam diretamente a percepção do paciente sobre o cuidado recebido. 

Nesse contexto, a enfermagem ocupa uma posição estratégica. É a equipe que permanece mais próxima do paciente, identifica sinais de desconforto, traduz informações, acolhe familiares, reduz ansiedade, organiza rotinas assistenciais e atua diretamente na segurança do cuidado.

Por isso, falar sobre o Dia da Enfermagem é também falar sobre cultura de cuidado, experiência do paciente, cuidado centrado na pessoa, qualidade assistencial e confiança.

O Dia da Enfermagem é celebrado em 12 de maio, data associada ao nascimento de Florence Nightingale, referência histórica da enfermagem moderna.

O que é o Dia da Enfermagem?

O Dia da Enfermagem marca uma data de reconhecimento à contribuição dos profissionais de enfermagem para a saúde, a segurança e a continuidade do cuidado. Em 12 de maio, também são celebrados o Dia Internacional da Enfermagem e o Dia do Enfermeiro.

No Brasil, a data ganha ainda mais relevância pela dimensão da categoria e pelo papel desses profissionais em diferentes pontos da rede de saúde: atenção primária, hospitais, clínicas, unidades de urgência, oncologia, saúde suplementar, cuidado domiciliar, gestão, ensino, pesquisa e segurança do paciente.

A Organização Mundial da Saúde publicou em 2025 uma nova edição do relatório global sobre enfermagem, destacando a importância da força de trabalho da enfermagem para políticas de educação, remuneração, liderança, prática avançada e fortalecimento dos sistemas de saúde. 

O documento está disponível no relatório State of the World ‘s Nursing 2025.

Qual é o papel da enfermagem na experiência do paciente?

A enfermagem influencia a experiência do paciente em três dimensões principais: técnica, relacional e organizacional. Essas dimensões conectam cuidado seguro, comunicação clara, continuidade assistencial e vínculo humano.

DimensãoComo a enfermagem atuaImpacto na experiência
SegurançaIdentificação correta, administração de medicamentos, prevenção de quedas e monitoramento clínicoReduz riscos e aumenta confiança
ComunicaçãoExplicação de condutas, escuta ativa, orientação ao paciente e à famíliaDiminui ansiedade e melhora adesão
ContinuidadePassagem de plantão, acompanhamento da jornada, coordenação com equipes e gestão de alta.Evita falhas, atrasos e retrabalho
AcolhimentoPresença, empatia, resposta rápida e cuidado humanizadoFortalece vínculo e percepção de cuidado
Gestão da jornadaIdentificação de pontos de dor, feedbacks e oportunidades de melhoriaTorna o cuidado mais previsível e consistente

A experiência do paciente depende da forma como a organização estrutura seus processos, mas também da qualidade das interações humanas. É exatamente nesses pontos que a enfermagem atua diariamente.

Enfermagem, segurança do paciente e confiança

Um dos aspectos mais importantes do Dia da Enfermagem é reconhecer que a enfermagem não está apenas “ao lado” do paciente. Ela está no centro da segurança assistencial.

Profissionais de enfermagem monitoram sinais, identificam mudanças clínicas, acompanham riscos, orientam pacientes, registram informações e atuam como elo entre diferentes áreas do cuidado. Quando esse trabalho é bem estruturado, o paciente percebe mais organização, clareza e proteção.

Práticas como rondas de enfermagem, passagem de plantão à beira-leito, comunicação estruturada e escuta ativa reduzem falhas e fortalecem a confiança. A AHRQ, por exemplo, destaca a passagem de plantão à beira-leito como uma estratégia para tornar a transição de cuidado mais segura, envolvendo paciente e família no processo.

A confiança é um ativo crítico na saúde. Sem confiança, o paciente tende a perguntar menos, aderir menos, relatar menos sintomas e se sentir menos seguro para participar do próprio cuidado.

Comunicação: uma competência essencial da enfermagem

A comunicação é uma das maiores interfaces entre enfermagem e experiência do paciente.

Um paciente pode receber o melhor cuidado técnico e, ainda assim, sair com percepção negativa se não compreendeu o que estava acontecendo, se sentiu ignorado ou não teve suas dúvidas respondidas.

Esse ponto também aparece em conteúdos da SOBREXP sobre humanização na saúde, que reforçam a comunicação clara como parte da cultura centrada na pessoa.

Na prática, uma comunicação qualificada envolve:

  • perguntar “o que é importante para você?”;
  • explicar condutas em linguagem clara;
  • confirmar entendimento;
  • acolher emoções;
  • envolver familiares quando adequado;
  • respeitar valores, preferências e contexto social.

No Dia da Enfermagem, essa dimensão precisa ser valorizada como competência técnica, não como atributo subjetivo. Comunicação adequada reduz medo, melhora adesão terapêutica e qualifica a tomada de decisão compartilhada.

Experiência do paciente não é apenas satisfação

Um erro comum é tratar a experiência do paciente como sinônimo de satisfação. A satisfação é uma percepção importante, mas limitada. A experiência envolve toda a jornada: acesso, acolhimento, segurança, comunicação, ambiente, vínculo, continuidade e participação.

Fontes reforçam que a experiência do paciente vai além de pesquisas de satisfação e deve considerar interações ao longo do cuidado contínuo, expectativas, cuidado individualizado e parceria com pacientes e famílias.

Fontes reforçam que a experiência do paciente vai além de pesquisas de satisfação e deve considerar interações ao longo do cuidado contínuo, expectativas, cuidado individualizado e parceria com pacientes e famílias.

Nesse cenário, a enfermagem é decisiva porque atua no ponto onde a estratégia institucional encontra a realidade do paciente.

É no leito, na recepção assistencial, no preparo para exames, na orientação de alta, no cuidado domiciliar e nas rotinas de acompanhamento que a experiência deixa de ser discurso e vira prática.

Como as instituições de saúde podem valorizar a enfermagem na experiência do paciente?

Celebrar o Dia da Enfermagem com campanhas internas é importante, mas insuficiente. Para transformar a valorização em resultado institucional, é necessário integrar a enfermagem à governança da experiência do paciente.

1. Incluir a enfermagem nos comitês de experiência

A enfermagem deve participar da análise de indicadores, discussões de jornada, revisão de queixas, projetos de melhoria e decisões sobre fluxos assistenciais.

2. Utilizar dados da enfermagem na gestão da experiência

Rondas, relatos de pacientes, eventos adversos, reclamações, elogios, tempo de resposta e orientações de alta podem gerar dados relevantes para melhoria contínua.

3. Treinar comunicação empática e escuta ativa

Os treinamentos devem ir além de scripts. É preciso desenvolver competências para conversas difíceis, acolhimento emocional, educação em saúde e comunicação com familiares.

4. Fortalecer a experiência do colaborador

Não existe experiência do paciente consistente com equipes exaustas, desvalorizadas ou sem apoio. Equipes engajadas, apoiadas e conectadas ao propósito tendem a oferecer cuidado mais seguro, empático e consistente.

5. Reconhecer comportamentos que geram cuidado centrado na pessoa

Reconhecer publicamente boas práticas, relatos positivos e atitudes alinhadas à cultura institucional ajuda a reforçar padrões desejados.

Principais erros ao falar sobre enfermagem e experiência do paciente

Alguns erros reduzem o potencial estratégico do Dia da Enfermagem dentro das instituições:

1. Tratar a data apenas como homenagem

Reconhecimento simbólico é válido, mas precisa estar conectado a ações concretas de valorização, desenvolvimento e escuta.

2. Separar experiência do paciente da segurança assistencial

A experiência não substitui qualidade técnica. Ela depende dela. Uma boa percepção não compensa falhas clínicas.

3. Ignorar a voz da enfermagem nos projetos de melhoria

A enfermagem conhece gargalos reais da jornada: atrasos, falhas de comunicação, pontos de ansiedade, dificuldades de adesão e riscos operacionais.

4. Focar apenas no paciente e esquecer a equipe

Profissionais sem suporte emocional, condições adequadas e clareza de propósito tendem a ter menor capacidade de sustentar uma cultura de cuidado.

5. Não medir impacto

Sem indicadores, o tema fica restrito ao campo da intenção. É necessário acompanhar dados de satisfação, segurança, reclamações, elogios, engajamento e desfechos.

Benefícios de integrar enfermagem à estratégia de experiência

Quando a enfermagem é integrada à gestão da experiência do paciente, os ganhos aparecem em diferentes níveis:

  • maior segurança assistencial;
  • comunicação mais clara;
  • redução de ansiedade;
  • melhora na adesão ao tratamento;
  • fortalecimento da confiança;
  • redução de reclamações;
  • aumento da fidelização;
  • melhor integração entre equipes;
  • cultura mais centrada na pessoa.

A experiência que o paciente vive se transforma na história que ele conta. Por isso, integrar a enfermagem à estratégia institucional não é apenas uma decisão assistencial, mas também uma escolha de gestão, reputação e sustentabilidade.

Esse raciocínio também aparece no artigo da SOBREXP sobre experiência do paciente como caminho para eficiência e resultados na saúde.

Perguntas frequentes sobre Dia da Enfermagem

Quando é comemorado o Dia da Enfermagem?

O Dia da Enfermagem é celebrado em 12 de maio, data também reconhecida como Dia Internacional da Enfermagem e Dia do Enfermeiro.

Por que a enfermagem é importante para a experiência do paciente?

Porque a enfermagem está presente em diversos momentos da jornada, atuando na segurança, comunicação, acolhimento, orientação, continuidade do cuidado e identificação precoce de riscos.

A experiência do paciente depende só da enfermagem?

Não. A experiência do paciente é responsabilidade de toda a organização. Porém, a enfermagem tem papel central por sua proximidade constante com pacientes e familiares.

Como valorizar a enfermagem além da data comemorativa?

Com participação em decisões, educação continuada, reconhecimento, escuta ativa, melhores condições de trabalho e integração à governança da experiência do paciente.

A experiência do colaborador impacta a experiência do paciente?

Sim. Equipes engajadas, apoiadas e conectadas ao propósito tendem a oferecer cuidado mais seguro, empático e consistente.

Dia da Enfermagem como ponto de partida para uma cultura de cuidado

O Dia da Enfermagem deve ser visto como mais do que uma data institucional. É uma oportunidade para revisar como a organização reconhece, apoia e integra a enfermagem à estratégia de cuidado centrado na pessoa.

A experiência do paciente acontece nos detalhes: na forma como uma orientação é dada, no tempo de resposta, na escuta diante da dor, na comunicação com a família, na passagem de plantão, na prevenção de riscos e na capacidade de enxergar a pessoa além do diagnóstico.

Nesse processo, a enfermagem é uma das forças mais relevantes da cultura de cuidado.

A SOBREXP atua no fortalecimento da experiência do paciente e do cuidado centrado na pessoa no Brasil, promovendo conhecimento, capacitação e desenvolvimento para profissionais e instituições de saúde.

Reconhecer a enfermagem é também reconhecer que a experiência do paciente depende de pessoas preparadas, valorizadas e conectadas ao propósito de cuidar.

Para aprofundar esse trabalho na sua instituição, faça parte da SOBREXP e conheça as iniciativas.

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